Vida de Lavrador
“Verde são os campos,
Da cor do limão”,
Cuidar dos animais,
É o meu ganha-pão.
Da cor do limão”,
Cuidar dos animais,
É o meu ganha-pão.
Anda cá minha vaca Malhada,
Vermelha, Preta, Amada.
As minhas vacas tinham nome,
Carácter, apelido e sobrenome.
Tinha meia-dúzia delas,
Que a todas conhecia,
Até que uma vez, um dia,
Disseram-me que teria
De fazer as “reviradelas”
Que a economia exigia.
Vermelha, Preta, Amada.
As minhas vacas tinham nome,
Carácter, apelido e sobrenome.
Tinha meia-dúzia delas,
Que a todas conhecia,
Até que uma vez, um dia,
Disseram-me que teria
De fazer as “reviradelas”
Que a economia exigia.
Fotografia de Luis FrançaDeram-me um tractor,
Para a terra trabalhar,
Chamaram um doutor,
P’ra me vir aconselhar.
Ensinou-me uns pronomes,
E outras coisas que não sabia.
As vacas perderam os nomes,
Como da noite para o dia.
Comecei a adubar,
Tal como me disseram,
Depois de uns anos passar,
Vêm-me dizer, então,
Que o bom era estrumar,
Por causa da poluição.
Custou-me a acreditar,
Porque eram assim as sementeiras,
E que teria de voltar,
Por causa do encabeçamento,
Ao número de vacas leiteiras,
Que tinha lá noutro tempo.
Cheguei à simples conclusão:À medida que o tempo passa,
O conhecimento que adquiri,
De geração em geração,
Não o vou abandonar,
Foi por ele que recebi,
Campos cor de limão,
P’ra ainda hoje trabalhar.
O que distingue a ruralidade da urbanidade?
O relacionamento do homem com o campo e com a natureza pode parecer bucólico, pode parecer poético, mas é essa visão menos tecnicista, menos economicista que leva a um respeito pela natureza, pelos outros e capaz de construir a serenidade que a vida rural tem.
O relacionamento do homem com o campo e com a natureza pode parecer bucólico, pode parecer poético, mas é essa visão menos tecnicista, menos economicista que leva a um respeito pela natureza, pelos outros e capaz de construir a serenidade que a vida rural tem.
Os tempos mudam e a ruralidade altera-se bem como os valores que englobava como o relacionamento inter-pessoal ou inter-geracional.
A produção animal, incentivada para ser intensiva, por políticas nacionais e internacionais, descaracterizou-se relativamente aquilo que era no passado, porque não atendeu às perspectivas de desenvolvimento incorporadas na mentalidade rural. Antes da produção animal massificada, até as vacas tinham nomes próprios, porque além dos seres humanos, também recebiam nomes próprios os demais seres vivos, mesmo sendo todos da mesma espécie.
Tal como afirmam Vidal e co-autores em 2007, antes de se direccionarem projectos é fundamental saber contextualizá-los, respeitar as idiossincrasias locais e articular a participação dos diferentes intervenientes em propostas de requalificação. É importante o reconhecimento dos seus direitos, experiências, saberes e, principalmente, o entendimento de que são os sujeitos que aí habitam que detêm responsabilidades na manutenção e gestão do seu espaço.
Etiquetas: ambiente, Lavrador, poluição, relacionamento inter-geracional




















