Leia-se o Mundo
O mundo é um livro aberto,
Descoberto,
Numa burilada leitura,
Estampado,
Numa intrincada gravura,
Lido, relido e pensado decerto:
Pelo poeta, pintor,
Filósofo, sonhador,
Cientista, escultor,
Descoberto,
Numa burilada leitura,
Estampado,
Numa intrincada gravura,
Lido, relido e pensado decerto:
Pelo poeta, pintor,
Filósofo, sonhador,
Cientista, escultor,
Músico, compositor,
Ou um sábio escritor.
Ou um sábio escritor.
A grafia pouco interessa,A língua ou o dialecto,
Na obra impressa.
Leia-se com intelecção,
Ou com o coração.
Estude-se o objecto,
Num contexto concreto,
Veja-se se o seu trajecto,
Tem o movimento correcto.
Adicione-se-lhe afecto,
E faça-se um projecto,
Para uma leitura do mundo,
Que ocorra em cada segundo.
Espantemo-nos com cada página,Com o que o mundo nos ensina,
E ver-se-á quem domina,
A leitura do mundo,
Nesse livro aberto,
Profundo e fecundo,
De andar vagabundo,
Ou de rumo incerto.

Félix Rodrigues
Qual é a tua leitura do mundo?
O conhecimento surge das leituras que fazemos da realidade que está permanentemente estampada debaixo dos nossos olhos. Por vezes olhamos e não vemos, e outras vezes vemos mas não queremos olhar, refreando a percepção como se a realidade estivesse escrita com caracteres que não dominamos.O mundo poderá ser cruel ou amistoso, dependendo do rumo traçado pelo pensamento e acção de cada um de nós. O mundo não se organiza em compartimentos ou secções, categorias ou teorias. É a nossa tentativa de catalogar, sistematizar ou teorizar que faz com que este possa ser aquilo que aspiramos ou aquilo que detestamos.
A melhor leitura do mundo é aquela que acopla múltiplas visões, múltiplas perspectivas e múltiplas aspirações. Uma leitura correcta passa pelo confronto com outras leituras e pela procura incessante do conhecimento.
Leia-se, porque a leitura promove o conhecimento. Escreva-se porque a escrita é comunicação e partilha.
A morte da leitura levará à morte da poesia a um refrear dos sentimentos.
A ausência da leitura promoverá a apatia, a ausência de teorização e a ausência da escrita.
Abra-se um livro e deixemos que nos comova, pelos sentimentos cativos nas palavras ou pela beleza intrínseca de uma teoria.
Nos livros encontrar-nos-emos mesmo que se abdique de encontrar os outros.
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