Cresce Cagarro
Cagarrito. O Cagarrito,
É Cagarro pequenito,
Deixado no buraquito,
De lava ou de traquito.
É Cagarro pequenito,
Deixado no buraquito,
De lava ou de traquito.

Fotografia de Paulo Henrique Silva no CD multimédia "A Madrugada das Cagarras"
.Cagarrinho. O Cagarrinho,
É Cagarro pequenino,
Que busca como um menino,
É Cagarro pequenino,
Que busca como um menino,
Rumo para o seu destino.
Oh! Cagarro. Seu Cagarro.
Com o teu bico bizarro
Afasta-te desse carro,
Que contigo ainda esbarro.
Ilustração de Bernardo Carvalho no livro infantil "Zeca Garro" de Filipe Lopes e Carla G. Silva
.
Cagarrão, seu Cagarrão.
Procuraste no mar um vulcão,
Para fazeres uma criação,
Com muita dedicação.
Fotografia de Paulo Henrique Silva no CD multimédia "A Madrugada das Cagarras"
O Cagarro, a Cagarra ou Pardela, é uma ave marinha de nome científico Calonectris diomedea, onde a subespécie borialis nidifica maioritariamente no arquipélago dos Açores (perto dos 76% da população mundial).

Com o teu bico bizarro
Afasta-te desse carro,
Que contigo ainda esbarro.
Ilustração de Bernardo Carvalho no livro infantil "Zeca Garro" de Filipe Lopes e Carla G. Silva.
Cagarrão, seu Cagarrão.
Procuraste no mar um vulcão,
Para fazeres uma criação,
Com muita dedicação.
Fotografia de Paulo Henrique Silva no CD multimédia "A Madrugada das Cagarras"Félix Rodrigues
Qual é a ave que mais aprecias?
O Cagarro, a Cagarra ou Pardela, é uma ave marinha de nome científico Calonectris diomedea, onde a subespécie borialis nidifica maioritariamente no arquipélago dos Açores (perto dos 76% da população mundial).
Nesta altura do ano, nos Açores, os juvenis começam a abandonar os ninhos e por vezes chocam com as luzes de automóveis ou da iluminação das estradas.
Há necessidade de reencaminhar esses animais, que se encontram muito desorientados na via pública. No arquipélago existe a campanha SOS Cagarro que tem exactamente essa finalidade.
Os gritos do cagarro impressionaram os primeiros povoadores das ilhas, depois foi seu alimento, mais tarde, os seus medicamentos, e hoje é, o seu contentamento. A mentalidade cresceu, tal qual cresce o cagarro: com dificuldades, trabalho árduo e uma enorme vontade de partir e de ficar nas ilhas.
Ninguém fica indiferente ao grito do cagarro, ou se apaixona ou se arrepia. Esses sons são a sonorização das nossas noites de Verão, como o verde é a cor dos nossos pedacinhos de terra.
Todos anos regressam à terra que os viu nascer, para ocupar os mesmos buracos naturais ou construídos, muito antes dos homens e mulheres que imigraram para as Américas regressarem, por não conseguirem passar um Verão sem o ar, o verde, o mar e o som açoriano.
As fases de desenvolvimento dos humanos podem ser comparáveis às fases de desenvolvimento do cagarro: cagarrito, cagarrinho, cagarro e cagarrão, todas elas agarradas a lava dispersa no mar.
Num arquipélago rejeitado por andorinhas, que aqui não pousam, a natureza entendeu arranjar um substituto que também vem do sul, mas do mar, porque as ilhas estão envolvidas pelo sal e pelo aroma do Atlântico.
As andorinhas açorianas vêem-se à noite, em pleno voo, ritmado pelos sons agudos das suas gargantas, por isso, sabemos que cá estão, mas dificilmente os sabemos descrever. O primeiro encontro de um homem com um cagarro, também é, normalmente, o primeiro encontro de um cagarro com um homem. Estão os dois em situação de igualdade, ambos assustados, ambos extasiados.
Precisamos crescer em conjunto.
Cresce cagarro, porque enquanto o fazes, também eu estou a crescer.
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A Azoriana atribuíu a este blog um trevo de quatro folhas, como "amuleto da sorte". Atribuo o mesmo a todos os blogs constantes na lista ao lado.

Etiquetas: aves, Cagarro, Calonectris diomedea borialis



















