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2009-01-01

Ano Novo (2009) no Firmamento

Há uma candeia no céu,
Escondida atrás das nuvens,
Para iluminar os horizontes,
E fazer-nos ver,
Que a geometria esférica,
Torna a terra periférica,
Face à luz que irradia,
Com resquícios de astrolatria.

Que belo é um pôr-do-sol.

Há um queijo ratado,
Em suspensão no ar,
Com feições de desafio:
Afronta a imponderabilidade,
Ou a incapacidade,
De um homem poder voar.

Que bela fica a Lua,
Grávida do anoitecer.

Há uma estrela de oito pontas,
Que corre todos os sentidos:
O rumo de onde cai a noite,
O rumo de onde nasce o dia,
Por vezes, como por magia,
No rumo do prazer,
Do amar até morrer.

Que bela é a dança de Vénus,
Num bailado retrógrado de translação,
Contrário ao da rotação.

Há um deus esculpido por Escopas,
Quarto da ordem do Sol,
Senhor da Primavera,
Senhor do novo sonho humano,
Mais ambicioso,
Do que o corajoso,
Pé que foi estampado,
No seio de Diana.

De Marte, que bela é a cor amarela,
De mares, e continentes,
De ilhas, cidades e face, sem gentes.

Que belo é o céu,
Com ilhoses de estrelas,
Soberbas, castas e belas,
Onde cada um, vê nelas,
Um bocado do seu destino.

E eis que surge,
Na escuridão da meia-noite,
Estrelas a desovar as cores do arco-íris,
Pétalas de um recomeço ou de génesis,
De desejos incontidos,
De paz e felicidade.
Mas, na verdade,
O Ano Novo é ditado,
Pela astronomia do destino,
Que rege a vida humana,
E raramente, inacabado.

Traga-se o champanhe e saúde-se,
Ao Ano Novo, originado,
Sob um firmamento estrelado,
Como se se tivesse alinhado,
Para uma noite de fado,
Nado, sem ser criado.

Não se perca a felicidade,
Ou os anseios de amizade,
No Novo Ano ansiados,
Mas sempre retardados,
Pela guerra que se faz,
Sob este manto de estrelas,
Sem perceber há nelas,
Um desejo de cheiro a paz.



Félix Rodrigues

Feliz Ano Novo.

Angra do Heroísmo, 26 de Dezembro de 2008.

Nota- 2009 é o Ano Internacional da Astronomia.

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2007-12-29

Ano Novo Vida Nova

Tragam o champanhe,
Fresquinho a borbulhar,
Que o mundo nos acompanhe,
A neste Novo Ano entrar.
.
Gostaria de brindar,
À proclamação da paz,
Como se o vinho fosse capaz,
De a poder instaurar.

Gostaria de erradicar,
A morte, o genocídio,
E a ideia de martírio,
Que manda gente pelo ar.

Tragam foguetes e luzes,
Vamos pô-los a ribombar.
Parem com os arcabuzes,
Só o amor nos deve ofuscar.

Gostaria de conjugar,
O presente do indicativo,
Ou de modo imperativo,
O ignorado verbo amar,

Eu amo mesmo a dormir,
Tu amas sem desistir,
Ele ama sem divergir,
Do amor a instalar,
Neste reino de terra e mar.

Tragam pratos para servir,
Os esfomeados do mundo,
Mesmo de olhar moribundo,
Todos têm que se nutrir.

.
Tragam árvores p’ra plantar,
Consciências p’ra despertar,
Almas p’ra consolar,
E vidas para cuidar.

Tragam champanhe fresquinho,
Por ser chique esse vinho
E fazer-nos acreditar,
Que o mundo ainda vai mudar.

Félix Rodrigues

Feliz Ano Novo.
O fim de Ano Velho e o início de Ano Novo é o tempo do balanço de mim, de nós e do mundo. Deste cantinho do céu, de paz, com pouca fome, mas não ausente, vê-se um mundo dicotómico: ostensivamente rico, preocupantemente pobre, violentamente activo, abundantemente moribundo, mas sempre deslumbrantemente belo.
A maioria das pessoas possui mais ou menos a mesma inteligência, mas existe um padrão de comportamento específico que separa as classes sociais e as nações umas das outras e não se refere apenas a dinheiro e propriedade, tem a ver com a escassez de produtos naturais e com a ausência de educação, que quer queiramos ou não, desenvolve competências. Neste contexto, a pobreza pode ser devida a carências materiais e à exclusão social, que por sua vez está associada à incapacidade de participar na sociedade. Isto inclui a educação e a informação. As relações sociais são elementos chave para compreender a pobreza pelas organizações internacionais, as quais consideram o problema da pobreza para lá da economia.
A pobreza no mundo cresceu e a riqueza também mas de modo geograficamente assimétrico.
É incompreensível que tenhamos que lidar, em pleno século XXI, num mundo dito global, com situações semelhantes às que ocorrem em Darfur, Palestina, Iraque ou Pasquistão. É incompreensível que o terrorismo se afirme cada vez mais como um valor no Médio Oriente, mas também, em menor escala na Europa e nos Estados Unidos da América.
É incompreensível que o mundo mude mais rapidamente do que a sociedade, e que esta, seja incapaz de prever o futuro, para além do seu umbigo. São os acordos que falham, os negócios pouco éticos que grassam e a degradação da natureza que evolui.
Que o Ano Novo nos traga vida nova.

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