Ano Novo (2009) no Firmamento
Há uma candeia no céu,Escondida atrás das nuvens,
Para iluminar os horizontes,
E fazer-nos ver,
Que a geometria esférica,
Torna a terra periférica,
Face à luz que irradia,
Com resquícios de astrolatria.
Que belo é um pôr-do-sol.

Há um queijo ratado,
Em suspensão no ar,
Com feições de desafio:
Afronta a imponderabilidade,
Ou a incapacidade,
De um homem poder voar.
Que bela fica a Lua,
Grávida do anoitecer.

Há uma estrela de oito pontas,
Que corre todos os sentidos:
O rumo de onde cai a noite,
O rumo de onde nasce o dia,
Por vezes, como por magia,
No rumo do prazer,
Do amar até morrer.
Que bela é a dança de Vénus,
Num bailado retrógrado de translação,
Contrário ao da rotação.

Há um deus esculpido por Escopas,
Quarto da ordem do Sol,
Senhor da Primavera,
Senhor do novo sonho humano,
Mais ambicioso,
Do que o corajoso,
Pé que foi estampado,
De Marte, que bela é a cor amarela,
De mares, e continentes,
De ilhas, cidades e face, sem gentes.

Que belo é o céu,
Com ilhoses de estrelas,
Soberbas, castas e belas,
Onde cada um, vê nelas,
Um bocado do seu destino.
E eis que surge,
Na escuridão da meia-noite,
Estrelas a desovar as cores do arco-íris,
Pétalas de um recomeço ou de génesis,
De desejos incontidos,
De paz e felicidade.
Mas, na verdade,
O Ano Novo é ditado,
Pela astronomia do destino,
Que rege a vida humana,
E raramente, inacabado.

Traga-se o champanhe e saúde-se,
Ao Ano Novo, originado,
Sob um firmamento estrelado,
Como se se tivesse alinhado,
Para uma noite de fado,
Nado, sem ser criado.
Não se perca a felicidade,
Ou os anseios de amizade,
No Novo Ano ansiados,
Mas sempre retardados,
Pela guerra que se faz,
Sob este manto de estrelas,
Sem perceber há nelas,
Um desejo de cheiro a paz.

Félix Rodrigues
Feliz Ano Novo.
Angra do Heroísmo, 26 de Dezembro de 2008.
Nota- 2009 é o Ano Internacional da Astronomia.
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