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2010-02-06

Carnaval da Ilha Terceira - 2010

O Carnaval da Terceira,
Com ou sem gripe suína,
Faz-se da mesma maneira,
Contra ele não há vacina.

Por falar em vacina,
Sobe-me a adrenalina,
Quando o nosso Secretário fala.
Diz, sem graça, que aquela gente,
Que caminha muita vez p’ra latrina,
Apanhou com a gripe suína.
Como se a gente fosse porco,
Não tomasse banho muita vez,
Do banho nunca me esqueço,
Tomo sempre um banho por mês!

P’ra ele um bom doente,
Fica muito mais atraente,
Se tiver um bico de pato,
Em regime de internato,
E parecer um ser espacial,
Mesmo fora do Carnaval.

Comprou tantas vacinas,
P’ra dar às criancinhas,
Que até dá p’ra as enxertar,
Em tudo o que encontrar,
Desde as vacas às ovelhinhas.

Outro dia ia eu,
Com um amigo meu,
Numa ponte da via rápida,
A pensar na nossa vida,
Quando uma vaca espirrou,
E, a gripe da vaca passou,
P’ro meu cão que adoeceu.

Era um cão que nunca parava,
E eu bem que desconfiava,
Que ele tinha apanhado a gripe.
Só percebi quando o Filipe,
Que para o meu cão olhava,
Me disse que ele já não ladrava,
E que ele tinha que ir à latrina,
Pois já não se aguentava.

Lá foi o homem a correr,
P’ra aquilo que eu imaginava,
Quando se cruzou com a minha mulher,
Que na pia, a roupa lavava.
Espirrou p’ra cima dela,
Como se fosse uma cadela.
Pensei: O cão está doente,
Pois o Filipe, que é um gajo decente,
Só pode ter a doença do cão,
E com tamanha aflição,
Não viu que era a minha donzela.

Quando a minha mulher se confessava,
Ao padre da freguesia,
Fechava os olhos e espirrava,
Enquanto o padre dormia.
Olhava p’ra ele e dizia,
Que sentia uma agonia,
Que queria, uma vacina,
Sentia-se uma suína.

Desde quando o padre é porco,
Para que numa confissão,
Tivesse pegado à mulher,
Uma grande constipação?
O que é certo é que noutro dia,
Durante um casamento,
O padre cantava e tossia,
Como um galo em sofrimento.

Os noivos foram p’ra casa,
Meteram-se num quarto a dormir,
Ouvia-se gritar e tossir,
E só ao fim de oito dias,
É que puderam sair.
Toda a gente pensou,
Que estivera lá belzebu,
Quando o casal roncou,
A palavra Tamiflu.

Foi por causa da epidemia,
Que não saí num bailhinho,
Pois enquanto ensaiava e ria,
A gripe entrou de mansinho.
Apanhou-me o pé direito,
Depois a ponta de um dedo,
Foi levando tudo a eito,
E ficámos sem enredo.

Félix Rodrigues
Angra do Heroísmo, 6 de Fevereiro de 2010

3 Comments:

At 20:40, Anonymous Anónimo said...

parabens gostei toca nos assuntos mais em foco mas muito bem falado parabens e nunca s eesquecao de nos aqui no estrangeiro que adoramos estas coisas mais uma vez obg.

 
At 00:03, Blogger Rafaelle Costa said...

Achei forte a poesia sobre o Rio, és brasileira?

 
At 19:52, Anonymous Azoriana said...

O Carnaval até me fez avançar para uma blogagem colectiva que está a votos :), mas nada que se compare com o brilhantismo deste belo Carnaval.
Parabéns!
Abraço

 

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