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2008-02-22

Vítimas

Vítima do desamor,
Do poder opressor,
Do olvido confrangedor.
Só o Sol lhe dá calor.

Vítima da voluptuosidade,
Sem tempo, sem idade,
No futuro – infelicidade,
No presente - publicidade.

Vítima da insensatez,
De qualquer dia, qualquer mês,
Do luar a bater na tez,
Do olhar sujo do freguês.

Vítima do terrorismo,
Sem lugar ou catecismo,
Sem saber do fatalismo,
Que corre mártir pr’o abismo.

Vítima da ambição,
Que está na mira do ladrão,
Da candonga, do vilão,
Nas veredas da perdição.

A próxima vítima morrerá de pé,
Não se sabe bem quem é,
Só se conhece o violador,
E o seu poder dissuasor.
Félix Rodrigues
A sociedade contemporânea está cada vez mais dividida entre vítimas, opressores e inactivos. Os que pretendem alterar a situação facilmente passam do grupo dos inactivos para o grupo das vítimas.
Há necessidade de debate sobre a criminalidade, a violência e a sua mediatização, como sobre o abandono de códigos morais.
Tudo muda até a face da justiça e da criminalidade. As estatísticas apontam para o aumento da criminalidade, da opressão no terceiro mundo e talvez no primeiro. As minhas estatísticas pessoais também me dizem que a "sem vergonhice" também tem aumentado a um ritmo preocupante, de tal modo que por vezes julgo não ver bem.
Todos sabemos que mesmo que as pessoas ou as normas da sociedade não o permitam há tendência para a corrupção, por isso, há que combatê-la limitando a sua acção pela via legal, pela formação dos cidadãos e pela educação de toda a sociedade, não só de crianças e jovens. Os jovens são o futuro, mas amanhã actuarão os adultos. Não podemos esperar uma geração para combater a criminalidade ou a corrupção. Essa luta é diária.
Eduque-se, preserve-se proteja-se, pois a inacção tem um preço: passar do grupo dos inactivos para o grupo das vítimas.

23 Comments:

At 00:50, Blogger Berro d'Água said...

Querido amigo...

Nunca fui inativa e não me relaciono nada bem com a omissão, mas definitivamente acabo sempre como a "vítima", no sentido de ser crente o suficiente para ser passada para trás inúmeras e sucessivamente e justo por não poder acreditar nas coisas que vejo, vivo e constato. Não sou uma idiota, mas eu confesso que me é impossível acreditar no que pessoas aparentando normalidade, são capazes de fazer e nem falo aqui das desajustadas... Não posso admitir que pessoas tidas como normais e que fazem parte do meio comum, consigam agir de modo vil e ainda encontrarem argumentação e justificativas para atitudes tão baixas, rasteiras. E o pior ainda é ver as pessoas todas calarem-sem como se nada lhes dissesse respeito, diante de tais abusos... O silêncio é maléfico e não se mostra como uma postura correta a ser adotada diante de algo errado e não pode ser usado como linha de condura, seja pelo argumento que for. Silêncio diante do erro é nada mais do que conivência e aceitação e se algo errado é aceito pela falta de uma posição contrária ao delito cometido por outrem, a harmonia é rompida e o equilíbrio, quebrado. Isso implica em dizer que não existe silêncio capaz de calar a violência, o abuso, a corrupção e todos os males que atacam cada vez mais a população e seja ela do lugar que for.

Não resta dúvidas que a SEM VERONHICE vem crescendo e tomando forma do grande monstro devorador e que aprendemos a aceitar que ele viva ao lado e para não passarmos do grupo de inativos para o de vítimas, só mesmo se todos se unirem em prol de uma mesma causa, que somos nós mesmos...

Mas isso dá trabalho e carece de atitude e de coragem. Então o silêncio ainda continua a ser o maior aliado e o inimigo mais procurado para servir de máscara à irresponsabilidade.

Um ótimo final de semana pra ti!!!

Muitas coisas boas!!!
Beijo,
Cris

 
At 13:36, Blogger Templo do Giraldo said...

Venho aqui agradecer-te o comentario que fizes-te la no meu espaço, quando quiseres voltar lá a passar e a deixares a tua marca estás a vontade. Da minha parte penso voltar a passar pelo teu outras vezes.

Saudações do templo.

 
At 13:57, Blogger Su said...

gostei de ler

“No Final, nós nos lembraremos não das palavras dos nossos inimigos, mas do silêncio dos nossos amigos.” (Martin Luther King)

jocas maradas

 
At 14:49, Blogger © Piedade Araújo Sol said...

Gostei de ler, e deste um relevo especial às fotos.

Um texto para reler...e pensar...

beij

 
At 15:09, Blogger São said...

Esclarecido texto o seu!
Bom fim de semana.

 
At 15:22, Blogger Goticula said...

Olá amigo,

Bons textos, humanistas, de grande qualidade que nos faz pensar!


Bjs

 
At 15:39, Blogger Natural Naturalmente said...

A violência anda muito próximo da nossa porta, mas como evitar, como afasta-la?
Bom fim de semana.
Márcia

 
At 17:05, Blogger Fátima Silva said...

Indubitavelmente vivemos constrangidos pela manifestação de diferentes poderes - o poder usurpador, o poder descriminador, o poder castrador, o poder desconstrutor... são exemplos de alguns deles. Prefiro pensar no poder do bem, que congrega a paz, o respeito, a harmonia, a verdade, a vontade... dá-me mais força e energia para seguir viagem na sua sedimentação.
Continuo numa viagem de utopia? Que seja! Pois quero acreditar até que a vida me abata.
Óptimo fim de semana!

 
At 18:18, Blogger Oliver Pickwick said...

Poema tocante e soberbo, caro amigo.
Os opressores tem um nome, chama-se Neo-liberalismo. Também pode chamá-lo pelo codinome de Besta Escarlate, e o seu número é 666.
Parabéns por este post, um dos melhores que já li na blogosfera.
Abraços!

P.S.: Meu amigo, pelo que conta do seu lugar de origem, desconfio que foste amigo do Fred Flintstone.

 
At 18:35, Blogger geocrusoe said...

"A sociedade está cada vez mais dividida entre vítimas, opressores e inactivos..." eu sou de opinião que esta sociedade é sobretudo composta por inactivos, o que dá espaço aos opressores.
Inactivos que na sua maioria assim o são por medo ou por egoísmo, acredito que este último é o grupo mais intenso, pois se alguns passam de activos a vítimas, vejo que muitos só passaram a activos depois de vítimas e pergunto-me, porque esperaram? Se a sociedade fosse mais humana e activa os opressores teriam tanto poder?

 
At 18:45, Blogger Berta Helena said...

Félix,

Já tinha visto as 12 palavras, mas não consegui deixar-te comentário. Primeiro o meu obrigada por teres aceite o convite. Depois, olha achei muito interessantes, à tua maneira, se me posso exprimir assim.
Chamaram-me particularmente à atenção, pela positiva, já se vá, GRITAR, HÉRCULES... e as respectivas definições. Parabéns, gostei muito. E também deste post, mais uma chamada de atenção que aprecio. Como sempre.

Beijos
Berta

 
At 23:12, Blogger Mïr said...

Um bom texto.

Gostaria de ter o seu email.

Bom fim de semana.

 
At 13:10, Anonymous Anónimo said...

Lindo. Gostei muito das ilustrações.

 
At 14:28, Blogger Hanah said...

Maravilhoso o texto, passei por aqui outro dia, mas não tive tempo de deixar-lhe algumas palavras......

"Ser ou não SER"

Somos TODOS um só SER

Beijo grande de final de semana...

 
At 20:41, Blogger Su said...

voltei.............gosto de reler..............

qd vale a pena--------

feitio....faço.o sempre com qq texto/livro/frase que goste...

+ jocas maradas

 
At 21:52, Blogger maat said...

...mas a pior das violências é a indiferença a tudo quanto nos rodeia ...


Boa semana,

***maat

 
At 08:59, Blogger maat said...

...ainda...

Quem se defende


Privatizaram sua vida, seu trabalho, sua hora de amar e seu direito de pensar.
É da empresa privada o seu passo em frente,
seu pão e seu salário. E agora não contentes, querem
privatizar o conhecimento, a sabedoria,
o pensamento, que só à humanidade pertence.

A corrente impetuosa é chamada de violenta
Mas o leito do rio que a contém
Ninguém chama de violento.
A tempestade que faz dobrar as bétulas
É tida como violenta
E a tempestade que faz dobrar
Os dorsos dos operários na rua?


Quem se defende porque lhe tiram o ar
Ao lhe apertar a garganta, para este há um parágrafo
Que diz: ele agiu em legítima defesa. Mas
O mesmo parágrafo silencia
Quando vocês se defendem porque lhes tiram o pão.
E no entanto morre quem não come, e quem não come o suficiente
Morre lentamente. Durante os anos todos em que morre
Não lhe é permitido se defender.

Desconfiai do mais trivial, na aparência singelo.
E examinai, sobretudo, o que parece habitual.
Suplicamos expressamente: não aceiteis o que é de
hábito como coisa natural, pois em tempo de desordem
sangrenta, de confusão organizada, de arbitrariedade consciente,
de humanidade desumanizada, nada deve parecer natural
nada deve parecer impossível de mudar.



Bertold Brecht

 
At 18:30, Blogger Bruxinhachellot said...

Educação é primordial para conter essa epidemia de vitimas e dos causadores delas. Um texto intenso, com iniciativa.

Beijos de nova.

 
At 08:18, Anonymous Anónimo said...

Gostei muito.
Joe

 
At 14:15, Blogger sa.ra said...

Muito a propósito (acho) a minha sugestão é a não cooperação, no sentido em que Gandhi a defendeu e sobretudo pôs em prática.
Numa (quase sintonia) o meu post mais recente tem que ver com a "resposta" que julgo ser a primeira que podemos e devemos dar à corrupção.

Há grupos interessantes que trabalham de forma criativa, mas muito eficaz (sou testemunha) a questão opressor/oprimido - a metodologia nasceu no Brasil, com Bual. Chama-se "Teatro do Oprimido"... e é fantástico ver este método em acção.
É uma forma de reflexão...catalisadora da mudança.

Por cá temos o Grupo de Teatro do Oprimido (GTO)... está a fazer um excelente trabalho em comunidades onde o preconceito, a opressão e as desigualdades são mais evidentes.

Parabéns pelo post!


Beijo
Dia muito feliz!

 
At 22:24, Blogger Outonodesconhecido said...

Pois é, é isso aí..
como dizia Martin Niemöller:
"Um dia vieram e levaram meu vizinho que era judeu.
Como não sou judeu, não me incomodei.
No dia seguinte, vieram e levaram o meu outro vizinho que era comunista.
Como não sou comunista, não me incomodei .

No terceiro dia vieram e levaram meu vizinho católico.
Como não sou católico, não me incomodei.

No quarto dia, vieram e me levaram;
já não havia mais ninguém para reclamar...

Martin Niemöller, 1933
- símbolo da resistência aos nazistas.

 
At 22:31, Blogger oceanus said...

...fechar os olhos é mais fácil...
virar a cara é mais confortável.
e "a dor dos outros não é a minha".

... e como podemos continuar a ser indiferentes, a esta extrema ignorância, de todos aqueles que pensam assim?

Excelente texto.

bjs do fundo do Oceanus

 
At 17:37, Blogger foryou said...

"Eduque-se, preserve-se proteja-se, pois a inacção tem um preço: passar do grupo dos inactivos para o grupo das vítimas."
Gostei do poema mas gosto especialmente desta frase.

beijo

 

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