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2007-10-27

Equilíbrio Meta-estável

Arrisquei-me a viver,
Antes de poder tomar essa decisão.
Se decidir não morrer,
Será vã essa aspiração.

Fotografia de Luna
.
Decido apenas entre aquilo que não julgo
E aquilo que não posso.
Tomo p’ra mim, com esforço,
Uma infinidade de opções,
Muitas delas, puras ilusões.

- O meu mundo é o da Utopia,
A de hoje e de cada dia.
O que gero,
É por vezes o que não quero.

Com empenho ou esmero:
Luto contra os Darfur,
Iraques ou Afganistões,
Contra guerras e opressões.
Criamos ilusões,
Passando uma vida inteira
Sentados numa cadeira,
A fazer petições,
Pensando tomar decisões,
Sobre o viver
E o morrer.Nada nasce de mim sem a minha permissão.
Não há tristeza nessa decisão.
Triste será a amarga constatação,
De não ter liberdade de decidir viver,
E ser privado dela até morrer,
Porque eu não quis dar-me ao trabalho de escolher.
Félix Rodrigues
E teu equilíbrio é meta-estável?
Viver ou morrer faz parte de um equilíbrio a que estamos sujeitos, como se estivéssemos no topo de uma pirâmide, num equilíbrio meta-estável. Aí há que fazer um esforço para não cair: a queda será a morte, a manutenção da posição, a vida. É entre o esforço que temos que fazer para aí continuar, ou deixar-nos cair, que temos que escolher. É daí que vemos o mundo e decidimos agir, ou pelo contrário, continuar inactivos.
Não decidimos sobre a possibilidade de aí sermos colocados. Foi um desígnio, que cada um tentará explicar com a fé que quiser, mas decidimos sobre quem vamos colocar no topo da pirâmide, ou por vezes, daí fazer cair.
Do alto da pirâmide, vemos quem passa: com sofrimento, com alegria, correctamente julgado, injustiçado, com fome ou de barriga cheia. Não fomos nós, em primeira instância que julgámos, que injuriámos, que oprimimos ou que matámos, mas participamos desse acto se nada dissermos ou fizermos.
A fome no mundo não sou eu que a provoco, mas sou eu, a minha família, a minha ilha, o meu país, a minha Europa e o meu Mundo que a produz. As minhas escolhas, cada vez mais globais, poderão ajudar a combatê-la, se for justo pelo menos no comércio e nas opções de compra que tenho, se for justo nos julgamentos que faço, mesmo sem ser juiz de um tribunal, se participar em vez de me deixar ficar sonolento no topo da minha pirâmide, que não escolhi, mas que gostaria de aí ficar por toda a eternidade.

10 Comments:

At 19:10, Anonymous Anónimo said...

Fantástico.
Beijos.

 
At 20:10, Blogger Bichodeconta said...

Pois eu acho que não estás nada desambientado, bem pelo contrário..Imagina que todas as pessoas ajudavam na construção de um mundo melhor!! Tudo ficava mais fácil e naturalmente o mundo seria mais feliz..um abraço

 
At 20:57, Blogger Era uma vez um Girassol said...

Pelo que te vou conhecendo nestas lides de blogues, as causas nobres são aquelas que defendes e muito bem!
Exemplo a seguir...
Bjs

 
At 19:53, Anonymous Anónimo said...

Muito filosófico.....

 
At 19:00, Blogger nanda said...

Olá,
Faz tempo que ando afastada por motivos de trabalho. Tudo correu bem e agora espero ter mais tempo para a blogosfera.
Abraço

 
At 07:47, Blogger Aprendiz de Viajante said...

...os teus posts são como um filme que nos toca... acaba, mas vamos para casa sempre a pensar nos detalhes.

Um abraço e bom feriado

 
At 15:20, Blogger Nilson Barcelli said...

Excelente.
Não costumas fazer por menos, mas este post é particularmente muito bom.
Parabéns pela qualidade.
Abraço.

 
At 18:32, Blogger Lâmina d'Água, Silêncio & Escriba said...

Li, mas não vou comentar...

Te deixo beijinhos!!!
Cris

 
At 15:43, Anonymous Ofeliazinha said...

Por vezes chego a duvidar se tenho equilíbrio. Acho que sou desequilibrada por natureza.
Um abraço.

 
At 12:17, Blogger joanlaura said...

are these your photos? amazing shots

 

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